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A valorização do artesanato começa em você…

Quase todos os dias, recebo questionamentos e dúvidas sobre valorização e precificação do artesanato.

Profissão Artesanato

Frases como:  “O cliente acha caro meu artesanato…” ou “Como faço para valorizar meu trabalho? ” e a clássica “Gostaria de viver somente do artesanato, mas não consigo, pois ganho muito pouco”, são comuns em minha caixa de email, em  comentários na página de fãs, grupos de artesanato. Quando penso que cada  trabalho de artesanato é uma peça única, onde o profissional artesão imprime suas característica, produz emoções, expressa sentimentos e materializa idéias de forma individualizada, questiono: “Alguma coisa está errada, deveria ser ao contrário, cada peça de artesanato tem um valor inestimável, pois ela é exclusiva…” Qual o porquê, então, do artesanato não ser valorizado? Basicamente, percebo que existe uma espécie de preconceito que, muita das vezes, começa no próprio artesão…é comum ouvir profissionais referindo-se ao seu produto como minhas “pecinhas” ou meus “trabalhinhos”. Ora, se o próprio criador  desvaloriza a peça, chamando de “trabalhinho”, imagine o consumidor…

Qualidade do trabalho e Capacitação do Artesão

Outro, ponto fundamental, na valorização do artesanato, é a qualidade do trabalho e a capacitação do profissional. Veja, o comentário da Cris Santos, aluna do meu curso:

Também, achei que a questão da valorização do artesanato é algo que tem uma certa “urgência” em ser abordado pois não só ontem, mas já vi vários comentários dos alunos a respeito disso. Ontem na palestra vc deu várias pinceladas sobre o tema e eu percebi que isso é um universo bastante amplo ou seja, um assunto que vai dar “muito pano pra manga”. Particularmente eu tenho a seguinte opinião sobre a questão do que fazemos ser valorizado ou não: Qualidade. Eu vejo muito no meio do biscuit pessoas que não se qualificam para fazer as coisas. Outro dia vi uma artesã falando que tinha vários anos nessa área e que estava chateada pois, as pessoas não valorizavam os noivinhos que ela fazia, quando vi a peça dela entendi o pq. Acho que em qualquer área nós devemos fazer cursos, buscar informações, querer aprender para aperfeiçoar o que já sabemos, mas acredito que muitas pessoas tem um ego tão inflado que acham que já sabem tudo. Daí chega um cliente mais exigente e realmente não vai valorizar isso. Essa semana mesmo, recebi um e-mail de uma cliente que fechou uma encomenda comigo, dizendo que optou pelo meu trabalho pois eu era mais detalhista nas minhas peças apesar da outra ter dado um prazo mais rápido. Então, essa é a questão. O seu produto tem diferencial? Tem qualidade? Então as pessoas vão pagar. Eu busco sempre fazer cursos com professores que vem de fora, cursos on line, pesquisar novas técnicas, comprar DVD, repaginar as peças que eu já faço…então isso é uma questão a se pensar. A maioria dos meus clientes que fecham encomendas comigo não ficam chorando, nem questionando valor.

Eu, concordo com a Cris Santos…Sem capacitação, sem profissionalismo, não existe valorização. Talvez, você diga: “Eder e quem está começando, que não pode comprar DVD´s ou cursos?” Eu acredito que a internet democratiza o acesso a informação, levando o conhecimento a todas as pessoas. Se não pode investir  em curso pagos, comece pelo conteúdo gratuito disponibilizado na internet…para isso,  você só precisa de VONTADE!!! e quando for possível,  faça investimentos financeiros em sua capacitação, mas, nunca… eu disse “NUNCA”, deixe de se atualizar e de se capacitar.

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Preço x Valor

Gostaria, ainda, que você refletisse sobre a diferença entre Preço X Valor

Primeiramente, é preciso conhecer essa diferença:

  • Preço: é o que a pessoa entrega(pagamento)
  • Valor: é o que a pessoa recebe(percepção)

Quando, o preço é maior que o valor o sentimento gerado será  “Tá caro”, quando o valor é maior que o preço o sentimento será “Tá barato”. Veja um exemplo, bem simples, para entender esse conceito: Uma tarde no cabelereiro… O que a pessoa entrega(preço): R$ 150,00 O que a pessoa recebe(valor): Auto estima, beleza, elogio de amigos, etc Percebe?  nesse exemplo, o valor(o que a pessoa recebeu) é maior que o preço(o que a pessoa entregou)… Por isso, “não choram” para entregar os R$ 150,00 ou mais, por algumas horinhas no salão e “choram“ para pagar R$ 80,00 na peça artesanal que levou 3 dias para ser criada.

Para você saber qual o valor o cliente está percebendo em seu trabalho artesanal, é necessário conhecer suas necessidade ou seus desejos. Vamos a outro exemplo:

Imagine, um profissional que  trabalhe com encadernações artísticas e uma das peças de seu  portifólio seja “Agendas”.

De um outro lado, temos o consumidor que está procurando uma agenda… Se, esse consumidor, quer um “caderno para fazer anotações”(essa é a sua necessidade), vai achar caro o preço de R$ 80,00(o que ele entrega) pois,  o seu valor percebido para uma agenda é “apenas um local para anotar coisa”(o que ele recebe)…não adianta tentar vender a agenda artesanal para ele…ele vai comprar aquela agenda da papelaria/livraria por R$ 20,00. Agora, se esse consumidor quer mostrar para amigos o seu gosto requintado nas suas coisas pessoais(esse é o valor) ou ter um local onde irá registrar momentos especiais e únicos(valor), achará razoável e até mesmo barato o preço de R$ 80,00, pois a agenda da papelaria não irá suprir esse seu desejo. Essa é a chave…

Entenda a necessidade/desejo de seu público e você terá clientes satisfeitos e que valorizam seu trabalho.

Todo o artesão deve compreender que a valorização começa em cada profissional, em cada atitude e forma de encarar o trabalho. Também, é fundamental buscar a capacitação e a qualificação constante e, finalmente,  saber que toda a vez que ouvir “tá caro”, não deve baixar o preço e sim, aumentar o valor percebido de sua peça.

E você? O que pensa sobre a valorização do artesanato? qual sua dificuldade? O que você faz para valorizar seu trabalho? Comente abaixo com sua opinião…

Fonte: Eder Machado

Sobre Glauber

Consultor de Marketing Digital e apaixonado por artesanato. Acredita que as pessoas podem e devem trabalhar com aquilo que realmente gostam. É o criador do site Profissão Artesanato onde compartilha diversas dicas e experiências.

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